 |
|
|
Despedida
Hoje me despeço. Não do blog, mas deste espaço. Resolvi mudar, dar um ambiente mais interessante para minhas filosofadas sobre a vida. Para quem se interessar, o novo endereço é http://carmennascimento.blogspot.com/
Até lá!
Escrito por Carmen Nascimento às 11h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Mentira e traição
Tem coisas que a gente acha que só acontece em filme. Algumas maldades eu achava que só podiam existir na cabeça de escritores, autores de novela ou de cinema. Por exemplo, gente que mente por compulsão, que tem coragem de enganar e trair com a cara mais lavada do mundo, que faz isso e ainda acredita que está certo. Talvez eu tenha tido a sorte de não ter vivenciado sofrimentos terríveis durante praticamente a minha vida toda, só algumas situações difíceis que não fogem ao padrão. Tudo bem, já me disseram que eu fui muito protegida, por isso acredito que todo mundo é legal até prova em contrário. Deve ser isso mesmo.
Mas não é que esta semana descobri que gente maluca existe na vida real mesmo? Gente que sabe que está fazendo o outro sofrer e mesmo assim continua causando mal, de forma consciente? Insiste no erro? Impressionante! Gente capaz de achar que foi legal com uma pessoa que enganou de forma covarde, que fez sofrer além de qualquer limite? Gente que diz que não mentiu apesar de sempre ter inventado mil histórias para justificar todas as suas traições? Gente que afirma que vai continuar mentindo até o final, mesmo sabendo que essa é a causa do sofrimento da pessoa com quem divide o teto? Pois é...
Ainda assim, continuo dando o benefício da dúvida a essa criatura. Recuso-me a acreditar na existência da maldade pura e simples. Na minha opinião, só uma pessoa doente, mas muito doente mesmo, pode fazer tudo isso e achar que não está fazendo nada de errado. Mas há um lado bom nessa história sórdida: como não existe luz sem escuridão, as pessoas boas, de verdade, ganham ainda mais valor quando nos deparamos com esse tipo de gente louca. Otimista que sou, ver e sentir a loucura de tão perto me faz ser ainda mais grata pelas pessoas maravilhosas que tenho ao meu redor.
Pobres coitados não somos nós, os enganados e traídos. Pobre coitada é essa criatura louca, que vai continuar infeliz a vida toda, porque não sabe fazer outra coisa a não ser causar sofrimento justamente àquelas pessoas que se dispõem a dar a ela o melhor de si.
Escrito por Carmen Nascimento às 20h38
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
O que é o amor?
Amor. Uma das palavras mais faladas pela humanidade. No entanto, é uma das mais esvaziadas de sentido. O que significa, na realidade? Será que sabemos de verdade? Chamamos de amor uma porção de sentimentos que não têm nada a ver com amor. Na maior parte das vezes, confundimos amor com paixão. Só que paixão tem tempo certo para acabar e, em diversas ocasiões, transforma-se em ódio. Amor não termina. Amor não dá lugar a sentimentos ruins. Amor permanece. Amor fica guardado no fundo do coração, sempre, mesmo que as pessoas amadas vão embora, mesmo que não sejam perfeitas, mesmo que virem apenas amigos. O amor sobrevive às tempestades da vida.
Escrito por Carmen Nascimento às 20h56
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Prazer...
Finalmente, depois de muito tempo, voltei a sair sem rumo apenas para fotografar. Engraçado como a gente, na correria do dia-a-dia, sempre acaba deixando de lado as coisas que nos fazem mais felizes. Ficamos presos ao que nos chateia, pressiona, fere, em vez de voltar nossa atenção ao que há de mais importante: as coisas simples da vida.
Caminhando pelo centro de São Paulo com uma câmera na mão e uma amiga querida por companhia, tive um tempo raro na minha rotina apenas para deter meu olhar sobre pequenas coisas, muitas escondidas sob massas de informação e feiúra. Um pedaço de céu azul límpido, tão difícil de se ver por aqui; flores extremamente coloridas, espremidas entre as grades de um edifício; o sorriso e o olhar puro de um velho malabarista, que tenta ganhar a vida na dura metrópole; até mesmo as belas formas das estátuas negras das fontes, quase invisíveis para os apressados transeuntes. E, aqui e acolá, preguiçosos e elegantes gatos, de todos os tamanhos e cores, aproveitando as nesgas de sol para lagartear sossegados.
Verdadeira atividade de meditação, fotografar. Através da lente, apenas meu olhar permanecia vigilante, tentando encontrar cenas singelas para revelar com minha câmera. A mente estava completamente vazia. As preocupações,angústias, tristezas, ansiedades, todas haviam desaparecido. Por certo retornariam mais tarde – como de fato retornaram –, mas, nesse momento, me deram um sossego. E, por ver tanta beleza escondida, meu coração se encheu de alegria e satisfação. Voltei para casa com um frio na barriga gostoso, de grande prazer...
É, sou obrigada a discordar de Cazuza. Não são só as mães que são felizes. Os fotógrafos também. Mesmo os amadores, como eu.
Escrito por Carmen Nascimento às 20h35
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Rompendo barreiras
Semana passada uma revista mostrava as chances cada vez menores de as mulheres se casarem depois de certa idade. O problema, segundo as moças entrevistadas, é que, em sua busca por sucesso profissional, reconhecimento e liberdade, acabavam sendo exigentes demais e deixando as chances de um relacionamento duradouro passar.
Lendo os depoimentos, fiquei pensando como é difícil nos livrarmos de certos padrões, mesmo quando o cenário ao redor já é completamente diferente. As mulheres ainda procuram pelo "bom partido", o homem que assume o papel de provedor, mesmo que elas sejam plenamente capazes de sustentar a família sozinhas. E, em busca desse homem idealizado, acabam deixando de lado relacionamentos que poderiam ser gratificantes, apenas por não corresponderem ao ideal do tempo das nossas avós - que, aliás, sequer sonhavam em chegar aos lugares a que chegamos hoje.
Não é à toa que os homens se queixam de que não entendem as mulheres. Elas exigem liberdade, vão à luta por igualdade, mas, na hora do casamento, continuam aspirando pelo homem provedor, pelo macho tradicional, o bem-sucedido, aquele que paga as contas, que se responsabiliza pela casa e pela família, que trata a mulher como um bibelô (ou, no pior dos casos, como um objeto), não como uma parceira, uma companheira que divide em pé de igualdade as agruras e as alegrias do dia-a-dia, que está ao seu lado apenas em nome de um afeto verdadeiro. Não conseguem vencer os preconceitos sociais para ficar com o homem que desejam, caso ele não se enquadre nesse padrão.
No entanto, embora reclamem desse comportamento contraditório das mulheres, eles também não sabem lidar com aquelas que já conseguiram superar as barreiras sociais e não cobram deles o papel de provedor. Poucos são aqueles que ficam numa boa ao lado de uma mulher independente, que não precisa da segurança e do dinheiro alheio para seguir o seu caminho. No entanto, muitos são os que se dispõem a ficar com mulheres de classe social mais baixa, menos instruídas, menos educadas, mais jovens, menos maduras. Mas 'ai' da mulher que se atrever a fazer o mesmo...
O que não perceberam ainda é a maravilhosa liberdade que há por trás dessa nova posição da mulher na sociedade. Quando não precisamos ficar com alguém em razão de conveniências financeiras ou sociais, podemos manter relacionamentos baseados em sentimentos como amor e afeto. Quando não temos necessidade de corresponder aos comportamentos que esperam de nós, podemos relaxar e aproveitar todo o prazer de dividir a longa jornada da vida com um companheiro leal, sincero, verdadeiro - não importa se rico, pobre, branco, negro, culto, não culto, maduro, imaturo, bem-sucedido ou não...
Escrito por Carmen Nascimento às 20h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Filho não pode ser desculpa
Há algumas dias, soube que um conhecido decidiu se casar porque a moça com quem ele tinha começado a sair há uma semana engravidou. Essa notícia me deixou assombrada. Como é que alguém, em sã conscìência, toma uma decisão dessas? O que, aliás, não acho que se justificaria nem se o casal se conhecesse há três meses.
Há duas questões muito sérias nesse caso. Em primeiro lugar, qual a razão que deve levar duas pessoas ao casamento. Dividir a vida com alguém é coisa bastante complicada. É preciso aprender a ceder, a respeitar, a ouvir, a ter companheirismo e, inclusive, a amar. Não é uma banalidade. Trata-se de um projeto de vida, de longo prazo, mesmo que a separação seja uma possibilidade acessível a qualquer momento (e que bom que é assim, para que ninguém fique condenado à infelicidade). Portanto, a decisão para dar esse passo deve estar livre de pressões, baseada numa vontade espontânea, num desejo sincero de unir sua vida à de outra pessoa. Começar um projeto tão importante por causa de uma gravidez não planejada, na maioria das vezes até indesejada (por uma ou ambas as partes), é arriscado e, eu diria, até mesmo leviano. É não dar o devido valor a esse ato, que dá origem à instituição básica da nossa sociedade, a família – seja ele atestado por um papel ou pela simples concordância do casal. Que irresponsabilidade jogar nas costas de um ser que ainda nem nasceu, e que não pediu para ser concebido, uma decisão que cabe a duas pessoas adultas, racionais.
Em segundo lugar, ter um filho é uma decisão ainda mais séria. Não deveria ser fruto do acaso ou de um descuido, ou até mesmo de uma artimanha, principalmente no mundo de hoje, tão complicado e complexo. Também é um plano de vida, porém, muito mais importante, porque, ao contrário do que acontece com o casamento, é de fato para toda a vida. Educar é uma tarefa árdua, que exige dedicação integral, e de extrema responsabilidade, não só com o filho, mas com toda a humanidade. Somos, sim, responsáveis pelas criaturas que colocamos nesse planeta e pelo modo como elas vão se relacionar com tudo o que está à sua volta. E como é esse relacionamento quando a pessoa descobre que não foi resultado de um desejo genuíno de seus pais, mas "aconteceu"?
Por isso, acho uma pena que não seja possível fazer com todos os casais a avaliação realizada pelas varas de família com aqueles que pretendem adotar uma criança. O fato de se ter todo o aparelho orgânico para gerar uma criança não significa que se é apto a ter filhos. Não é preciso ir muito longe para saber. Exemplos disso podem ser vistos a todo instante e em qualquer lugar.
Em pleno século 21, só engravida quem quer ou quem realmente deixa seu destino ao sabor do vento, nas mãos de outros. Por isso, meninos, sejam responsáveis para que a sua decisão de casar e formar uma família seja pessoal e verdadeira, não culpa de outra pessoa. Meninas, sejam responsáveis para não cair na tentação de querer segurar o amado com um filho. Pode parecer que tudo se arranja no curto prazo, mas com o tempo a decisão vai pesar nas costas de ambos, e daí para o ciclo de lamentações, acusações e infelicidade é um passo.
Escrito por Carmen Nascimento às 20h37
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
O valor da liberdade
Nada na vida compensa o preço de ser livre. Como é bom poder fazer o que se quer, escolher o próprio caminho, traçar os próprios planos. Infelizmente muitas vezes a gente se deixa escravizar pelos desejos dos outros, por medo de ficar sozinho, de não ser amado ou admirado, sem perceber que isso, no final, nos afasta ainda mais do amor e da felicidade.
De fato, a liberdade é condição para que haja amor, respeito e felicidade. Sem ela não há nada disso. Há tristeza, frustração, conformismo. Já fui escrava dos desejos de outros. Já tentei ser diferente para agradar as pessoas ao meu redor. Já concordei em ficar amarrada, em fazer apenas o que mandavam, em dar satisfação de cada passo meu, para ser querida, para ter alguém ao meu lado, para não me sentir sozinha, para ser respeitada. E constatei que isso não adiantou nada. Não fui mais amada nem mais respeitada. O que consegui foi apenas ser controlada e ficar preocupada cada minuto do dia em agradar, em tentar adivinhar o que se esperava de mim, em não errar.
O resultado foi que nunca me senti tão sozinha, tão sem amor. Nem tão tensa e frustrada. Foi apenas quando decidi romper as amarras que eu mesma deixei que me colocassem que descobri como a liberdade é fundamental para a vida, em todos os sentidos. Como sem ela não é possível ser uma pessoa plena. E hoje, livre que sou, apesar dos tropeços e das dificuldades, sei que não é possível ter amor e respeito sem ela. Podemos ter companhia, uma posição profissional até confortável, mas amor e respeito verdadeiros, não.
Nossas escolhas e opiniões têm de ser nossas, e de mais ninguém. E isso não significa ser egoísta. Ceder faz parte de qualquer tipo de relacionamento, seja pessoal, seja profissional. Mas não se anular, se submeter, se privar de suas opiniões e seus sonhos por medo de não ser aceito ou amado. Sem liberdade, perdemos a nossa identidade e, consequentemente, qualquer chance de ser feliz.
Escrito por Carmen Nascimento às 08h35
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Felicidade
Como parece difícil alcançar a tal felicidade. Todo mundo corre atrás dela, mas parece que ninguém encontra. Ou apenas uns poucos afortunados. Onde será que ela se esconde? E qual o segredo de quem consegue encontrá-la?
Na verdade, não deveria ser tão difícil. O problema é que nós fugimos dela, corremos de tudo que nos dá um prazer genuíno. Fomos criados ouvindo que o mundo é um vale de lágrimas, que tudo que é bom exige muito sacrifício, até que ser mãe é padecer no paraíso. Ou seja, que tristeza não tem fim, felicidade sim.
Por isso, quando encontramos a felicidade, não sabemos lidar com ela. Fugimos, estragamos tudo, repetimos erros, porque não acreditamos que podemos viver felizes. Somos ensinados a sempre buscar algo mais, para não nos permitirmos usufruir do prazer que obtemos das pequenas coisas cotidianas, da felicidade que se apresenta para nós de forma sutil.
E inventamos novos equipamentos e coisas, novas aspirações, novos desejos, novos medos, novas complicações, só para continuarmos eternos insatisfeitos, infelizes, ansiosos, lamentando a tal felicidade que nunca alcançamos. Simplesmente porque acreditamos que não merecemos, que não somos dignos, que não podemos tê-la tão facilmente.
Sim, merecemos ter felicidade. Aqui, agora, neste mundo. E não a felicidade efêmera e enganosa contida no consumismo, nas drogas, nas coisas fúteis. O mundo não é um vale de lágrimas. Há dificuldades, problemas, mas não só isso. Viemos para cá para sermos felizes, para aproveitarmos as belezas que estão ao nosso alcance, para convivermos com as pessoas maravilhosas que habitam nosso planeta. Não temos porque nos culpar por algo que nem sabemos o que é.
A felicidade só pode ser alcançada se estivermos abertos para ela, se nos julgarmos merecedores dela. E todos nós somos.
Escrito por Carmen Nascimento às 08h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Reciclagem já!
Estamos na era do descartável. Tudo pode ser comprado e, quando não atende mais aos nossos interesses, descartado sem muito peso na consciência. Infelizmente, essa prática está sendo transposta da nossa relação com as coisas para nossos relacionamentos com pessoas.
Não é preciso ir muito longe para ver isso. Se alguém comete um crime, é jogado numa penitenciária, sem qualquer preocupação com sua possibilidade de reabilitação. Se algum amigo faz algo que nos contraria ou magoa, deixamos de falar com ele sem dar chance de se explicar, se desculpar ou se redimir da sua falha. Se a pessoa que amamos nos trai ou tem algum problema sério, somos aconselhados a eliminá-la de nossa vida e fazer a fila andar. Afinal, ter alguém que precisa do nosso apoio ou do nosso perdão toma muito tempo, exige dedicação, coisas que ninguém quer oferecer aos outros.
No entanto, eu me pergunto sempre: será que está certo desistir das pessoas ao menor (ou mesmo maior) erro? Será que todos não merecem uma chance, um investimento mais intenso de nossa parte? As pessoas só têm valor se servem aos nossos interesses? Caso contrário, o melhor é descartá-las sem dó nem piedade?
Eu sou a favor da reciclagem nos relacionamentos. Acredito que não podemos desistir fácil das pessoas. Claro, há casos em que, por mais que se faça, o relacionamento não tem condições de seguir adiante. Afinal, é preciso dois para dançar um tango. Também há pessoas que não mudam. Mas sempre dá para tentar um pouco mais, para escutar o outro lado e se colocar na posição do outro, entendendo suas motivações, mesmo que não se concorde com elas. As pessoas não são objetos, não podem ser tratadas como tal.
Pode parecer ingenuidade, uma fé desmedida na humanidade, mas acredito que quando oferecemos uma nova chance, perdoamos os erros cometidos, a maior parte das pessoas é estimulada a buscar o acerto, a ter novas atitudes. Mal-entendidos fazem parte da vida, mas, quando não se dá oportunidade para o outro falar, podem causar sérios estragos em todos os tipos de relacionamento.
Que tal adotarmos o conceito de reciclagem, agora tão em moda para lidar com os objetos que não queremos mais, nos nossos relacionamentos? Acho que é uma das poucas chances que nos restam de mudar o mundo caótico e embrutecido em que vivemos. Investir nas pessoas, essa é a chave da nossa salvação.
Escrito por Carmen Nascimento às 20h28
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Vivendo o presente
"Viva o presente". Não existe frase mais batida que essa, porém quanta dificuldade em colocá-la em prática. Quanto tempo perdemos sofrendo com coisas que aconteceram no passado ou com o que pode acontecer no futuro, e deixamos o presente escapar por entre nossos dedos.
Não podemos modificar o passado. O que passou, passou. No máximo, podemos refletir sobre ele e tentar, agora, viver de forma melhor, mais produtiva. O futuro não existe. Está apenas dentro da nossa imaginação. Claro, podemos e devemos fazer planos, mas não ficar escravos dele. Não viver histórias e fantasias que não aconteceram (e, que, na maioria das vezes, não vão mesmo se realizar). Não viver de acordo com o que achamos que o outro vai fazer, com o que pode acontecer.
A vida acontece hoje, agora, no presente, e é disso que não podemos nos descuidar. Porque, enquanto ficamos preocupados com o passado ou com o futuro, o tempo vai passando, implacável. E deixamos de aproveitar as belezas e as coisas boas que se apresentam diante dos nossos olhos todos os dias. Deixamos de tratar as pessoas com consideração, com o cuidado que elas merecem. E o que passa não tem mais volta.
Tudo o que escrevi aqui é um amontoado de obviedades? Sim, com certeza é. Porém, as coisas mais óbvias e banais parecem ser as mais difíceis de entender e praticar. Por isso tanta procura por livros de auto-ajuda. Mas isso já é tema para um outro texto. Quem sabe...
Escrito por Carmen Nascimento às 22h32
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
À vontade no mundo
Minha amada amiga The tem uma frase para definir um tipo de pessoa que acho sensacional: gente que está à vontade no mundo. E o que significa isso, exatamente?
Uma pessoa à vontade no mundo segue seu caminho de acordo com suas próprias convicções. Não dá importância demais à opinião alheia, é natural nos seus relacionamentos com os outros e com a vida, não fica procurando problemas onde não há, resolve os que aparecem de fato, expressa suas opiniões livremente, faz o que acha correto, não o que se espera dela, não segue modismos nem receitas de comportamento. Assume as responsabilidades por suas escolhas. Vive simplesmente o que tem de viver, de peito aberto. Por isso, rompe barreiras, enxerga além do que a maioria, promove mudanças ao seu redor.
Claro, também existe o outro lado da moeda. Como é diferente, é objeto de admiração e inveja. Admiração por parte de quem consegue entender a maravilha que é viver com liberdade, inveja por parte de quem não consegue se libertar das suas próprias amarras e prefere culpar o outro por sua mediocridade. Por isso, a pessoa que está à vontade no mundo não raro é alvo de ataques pelo simples fato de ser o que é.
Que bom seria se todos pudessem se sentir assim, à vontade no mundo. Que bom se todos assumissem a responsabilidade pela sua própria vida e fossem livres, sem se preocupar com o que o outro faz ou deixa de fazer. Com certeza, a vida seria mais simples. Menos tempo se perderia com bobagens, infantilidades e irrelevâncias e mais tempo se teria para cuidar das coisas que realmente importam.
Escrito por Carmen Nascimento às 11h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Acreditar em si
Hoje, a preocupação dos pais com o futuro profissional de seus filhos começa já na hora de colocá-los no jardim de infância. A grande questão é escolher uma boa escola (mesmo que seja uma creche) em que a criança vai aprender coisas que a colocarão na frente na competição por um bom emprego daqui a 15, 20 anos. E esse princípio continua norteando as etapas seguintes da sua vida.
Mas será que só isso faz a diferença? Não. Claro que ter uma boa formação é muito importante para o sucesso. No entanto, há milhares de exemplos que comprovam que o que faz diferença é a auto-confiança. Se a pessoa aprende a confiar em si mesma, ela corre atrás do prejuízo em termos de educação formal, cultura. Mas, sem auto-confiança, mesmo que tenha recebido a melhor educação do mundo, dinheiro, contatos, fica muito difícil lutar pela realização dos seus sonhos. Quantas pessoas conheço que tiveram todas as oportunidades do mundo e hoje estão estagnadas, infelizes com o que fazem, e se sentem incapazes de mudar essa situação...
E, por outro lado, quantas pessoas tive a satisfação de encontrar nessa vida que, sem essas mesmas oportunidades, tendo que lutar contra inúmeras dificuldades, conseguem caminhar e concretizar suas aspirações, seus sonhos. É fácil identificar essas pessoas. Elas carregam um brilho diferente nos olhos (e o mantêm contra todas as adversidades) e, com um mínimo de incentivo – seja ele dos pais, dos professores, dos chefes, dos amigos –, vão além de todas as limitações. Fazem, realizam, movem o mundo.
Por isso, o maior bem que podemos fazer por alguém é alimentar a chama da sua auto-confiança. Mostrar que acreditamos no seu potencial, na sua capacidade de realizar, na sua habilidade de transformar seus sonhos em realidade. Porque isso é o que, de fato, nos torna especiais e aptos a viver a vida em toda a sua plenitude.
Escrito por Carmen Nascimento às 11h27
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Apatia
O que está acontecendo com as pessoas? Que letargia é essa que toma conta de nós? O que faz com que demos importância a coisas fúteis e deixemos de nos manifestar sobre os temas que realmente são importantes?
Durante a Copa do Mundo, nós pintamos o chão de verde e amarelo, colocamos bandeiras nos carros, paramos de trabalhar para ver os jogos da seleção brasileira. O país se mobiliza inteiro para torcer pelo Brasil. Agora, quando bandidos nos impedem de ir ao trabalho, nos fazem ficar dentro de casa com medo, matam policiais, em mostra de desafio e de pouco caso com as autoridades e a população, não fazemos nada. Não saímos às ruas em protesto contra a falta de pulso do governo, as deficiências da Justiça, a corrupção que come solta nas mais altas esferas do poder e alimenta esse ciclo perverso de violência e impunidade.
Não podemos nos calar diante desse absurdo. Não podemos nos acostumar com o fato de que quem rouba, quem trafica e quem mata tem mais liberdade de ir e vir que nós, cidadãos comuns, que procuramos seguir as regras básicas da civilidade. Não podemos nos incomodar só quando o crime bate à porta de nossas casas. Vivemos em comunidade, o bem comum tem que prevalecer sobre os nossos interesses particulares.
Porque hoje os vidros blindados e as grades de nossas casas podem parecer suficientes, mas amanhã não serão mais. Se não nos indignarmos, se não nos preocuparmos, se não cobrarmos agora, é provável que em um espaço curto de tempo não tenhamos mais condições de sair às ruas, que o país esteja dominado pelo crime e pela barbárie. Então, estaremos perdidos, e nossa voz já não terá importância nenhuma. Será tarde demais.
Escrito por Carmen Nascimento às 08h22
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Um computador entre nós
Uma das grandes mudanças que a internet trouxe para nossas vidas foi o estabelecimento de relações virtuais, ou seja, intermediadas pelo computador. Hoje em dia usamos mais email, messenger, orkut e outros meios de comunicação via computador que o próprio telefone. Até com o celular muitas vezes preferimos mandar mensagens de texto do que falar ao vivo.
Por que isso acontece? Por que preferimos deixar os contatos mais pessoais de lado e colocamos tudo na rede? Provavelmente porque é mais fácil colocar as inibições de lado ou fingir coisas que não sentimos quando não há possibilidade de ver os olhos ou ouvir a voz do nosso interlocutor. O olhar e a voz traem sentimentos que o texto consegue esconder completamente. Ou seja, a internet nos oferece uma proteção contra nossos sentimentos verdadeiros que as relações olho-no-olho não permitem. Nem à pessoa mais falsa e mentirosa do mundo.
O orkut é um caso extremo. Não só há um computador entre as pessoas, mas também a possibilidade de tornar públicas coisas que deveriam ser particulares. Parece que os casais e os amigos preferem escrever ali tudo o que sentem, até detalhes íntimos, do que simplesmente ligar ou falar pessoalmente o que sentem. Será que precisam do aval público para tornar reais ou provar seus sentimentos? Será que dividir apenas com o amigo ou o amado não é suficiente para que a relação se sustente? Será que falta coragem para olhar nos olhos das pessoas de quem gostamos e simplesmente dizer o que achamos? Ou será que ali, naquele meio virtual, tudo o que se diz é menos real e menos comprometedor do que o que falamos cara a cara, por isso podemos ser piegas, sentimentais, ter atitudes que nos censuram na vida real?
Bom, o melhor seria escrever e dizer ao vivo, todos os dias, em todas as ocasiões, como as pessoas que amamos são importantes para nós. E mostrar cotidianamente por atitudes, por gestos, por olhares. Porque esses falam mais alto ao coração. E são, de fato, mais reais e verdadeiros.
Escrito por Carmen Nascimento às 15h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Quando o amor acaba
Na hora do sim, tudo é lindo e maravilhoso. Todo mundo feliz, sorridente, acreditando que o casamento vai durar para sempre. Só que nem sempre ele dura. E se, nesse processo, o amor se transforma em ressentimento... O que era lindo vira um verdadeiro pesadelo.
Escândalos, chantagens com os filhos, brigas por dinheiro, humilhações públicas ou privadas: baixarias dos mais diversos tipos fazem parte de boa parte das separações. Não sei como os advogados têm estômago para agüentar tanta coisa ruim. Esperando a homologação da minha separação (que foi tranqüila, apesar da dor que envolve esses casos, inevitavelmente), presenciei cenas lamentáveis. Fora as histórias dos amigos, que parecem saídas de novelas.
Eu gostaria de entender porque as pessoas esquecem tudo de bom que viveram juntas e passam a se concentrar nas coisas ruins. Afinal, uma separação, por si só, já é dolorosa. É o fim de um sonho, sempre, por mais amigável que seja. Ninguém casa com prazo de validade, acredito eu. Sempre acreditamos no sonho de formar uma família, ter um companheiro leal até o final da vida (e lealdade não é sinônimo de fidelidade, que fique claro).
Melhor deixar as coisas ruins no passado, enterradas, para evitar sofrimento maior. Dos filhos, em geral os maiores prejudicados, e de nós mesmos. Afinal, como poderemos construir uma nova vida com outra pessoa se vivermos presos em um passado ruim, remoendo infelicidade, dor, rejeição, traição. Além disso, é preciso lembrar que, em algum momento, essa pessoa foi amada por nós, vimos nela qualidades que nos levaram a uma paixão. Então, fiquemos com essas lembranças boas, com o que de melhor recebemos. Nós também cometemos erros, também pisamos na bola, também causamos sofrimento.
Ou seja, o melhor é ficar mesmo no 0 x 0, porque, nesse jogo, quem vence invariavelmente deixa atrás de si um rastro de dor ainda maior que aquela causada pelo simples fato de constatar que o sonho acabou.
Escrito por Carmen Nascimento às 17h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
 |
| [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |